quinta, 10 abril 2014 23:15

PROGRAMA

 

A Peregrinação Nacional da Sociedade de São Vicente de Paulo é presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa.

 

DIA 12 DE ABRIL, Sábado


13.30h - Acolhimento
14.30h - Desfile da Cruz Alta até à Capelinha
15.00h - Saudação a Nossa Senhora e Renovação do Compromisso na Capelinha
16.00h - Assembleia no Centro Apostólico Paulo VI
20.00h - Jantar
21.30h - Terço na Capelinha
22.30h - Vigília de Oração na Igreja da Santíssima Trindade


DIA 13 DE ABRIL, Domingo


10.30h - Bênção dos Ramos e Procissão da Realeza de Cristo
11.00h - Eucaristia no altar exterior (Recinto) 

No final da Eucaristia Consagração a Nossa Senhora

 

quinta, 10 abril 2014 21:26

Tudo o que um confrade ou uma consócia faz, fala ou sugere, durante as visitas domiciliares semanais e no trato com as famílias socorridas, pode ser o “fiel da balança” no futuro das pessoas que são atendidas pelas Conferências e pelas obras sociais vicentinas. Esse gesto pode, realmente, fazer a diferença. Um bom conselho, uma boa ideia, uma correção fraterna e uma palavra de apoio constituem o diferencial entre o trabalho vicentino e as ações filantrópicas – embora meritórias – empreendidas por diversas instituições.

 

Em outras palavras, deixamos “rastros” por onde passamos. Podemos olhar para trás e ver nossas pegadas; por isso, são inapagáveis, pois representam muito para aqueles que estão vivendo enormes dificuldades pessoais, econômicas e até espirituais. Os pobres assistidos não “apagam” das memórias deles nosso sorriso, nossa paixão e nossa devoção, assim como também nossos defeitos, pecados e falhas. Nossas pegadas são inapagáveis por conta de cinco elementos.


Primeiro, a forte confiança que os assistidos têm em nós. Eles permitem que entremos nos lares deles, que opinemos sobre suas vidas e que sugiramos o que eles devem fazer ou não. Sem essa confiança, nada disso seria possível. O segundo elemento, que tem a ver com a confiança, é a credibilidade que os vicentinos gozam perante a sociedade civil, às autoridades públicas e à Igreja. Sem essa credibilidade, não seria possível conseguir tantos feitos, doações e recursos para as pessoas mais carentes.


O terceiro elemento que deixa nossa marca indelével é a força do nosso testemunho e de nossos atos. Somente uma organização de inspiração divina e fundação colegiada poderia sobreviver há tanto tempo, com determinação, lutando contra as injustiças e as desigualdades. É a intensidade desse testemunho – sobre o que falamos e o que fazemos de concreto no campo da caridade – que abre caminhos, suaviza corações e provoca verdadeiros milagres na sociedade.


O quarto elemento é bem próximo do anterior: são os estímulos e exemplos de vida que deixamos para os que sofrem. Ao tentar alterar os rumos de uma família assistida, mostrando que ela possui plenas condições de vencer com suas próprias forças, um “empurrãozinho” dos vicentinos é fundamental para que as mudanças de estruturas se manifestem. Por fim, o quinto elemento para que nossas pegadas sejam consideradas inapagáveis refere-se ao espírito vicentino que transforma tanto os membros da SSVP quanto os socorridos. Essa mudança interior é visível e apaixonante; gera conversão e mais caridade.


Tudo isso parece simples, não é mesmo? Mas nem sempre as coisas simples são as mais fáceis. Manter e zelar pela boa imagem da SSVP não é trivial. É um trabalho constante, que deve ser cultivado e reforçado no cotidiano dos vicentinos, não só durante as visitas domiciliares, mas, sobretudo, no ambiente da Conferência e em nossas próprias vidas pessoais. Só assim, sendo vicentino nas 24 horas do dia, é que deixaremos as marcas da santidade no coração e na face dos que nos observam.


Por tudo o que refletimos acima, é fundamental estabelecer que a prática vicentina só terá pleno êxito se for calcada em dois princípios: a simplicidade (Mateus 18, 1-4) e o serviço (Mateus 20, 24-28). Se nossas ações não tiverem base nessas duas premissas, as pegadas que deixarmos serão facilmente apagadas ou esquecidas, como ocorre quando as ondas do mar passam por cima dos desenhos feitos por uma criança nas areias da praia. Com certeza, não queremos que nossas pegadas desapareçam. A mensagem de Jesus e o carisma de S. Vicente são nosso combustível!


Deixamos algumas perguntas para reflexão na reunião da Conferência: “Que tipo de pegadas temos deixado em nossa caminhada vicentina? Os pobres acreditam no que falamos? Passamos, para eles, confiança e credibilidade?

 

Renato Lima

Vice-presidente do Conselho Geral da SSVP para a América do Sul.

quinta, 10 abril 2014 17:46

No dia vinte e dois de março de dois mil e catorze, pelas dez horas, reuniu nas instalações do Seminário de Santarém, a Associação Sociedade de São Vicente de Paulo – Portugal, em Assembleia Geral Ordinária.

quinta, 20 março 2014 23:59

No passado dia 30 de novembro foram inauguradas as instalações do Colégio Jardim dos Sentidos, construído de raiz pela Associação das Obras Assistenciais da Sociedade de S. Vicente de Paulo (AOA-SSVP).
A sessão solene contou com a presença da Dra. Adelina Rocha de Almeida, presidente da AOA-SSVP, Dra. Hortência Menino, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Dra. Sónia Ferro diretora do Centro Regional de Segurança Social de Évora, Senhor Padre Luís Santos, Eng.º José Gomes de Pina representante do responsável da obra, equipa de arquitetura e projetos da empresa Civinove autores do projeto, da Dra. Sónia Santos diretora técnica do Colégio, pais, crianças e membros da comunidade montemorense.
Foi com grande satisfação que a AOA-SSVP inaugurou o novo espaço, o Colégio Jardim dos Sentidos, que herda assim do anterior Bercinho, também propriedade da AOA-SSVP em Montemor-o-Novo, um espírito educativo que o habilita a perseguir a excelência. Os seus princípios pedagógicos, os seus objetivos e a sua estratégia de atuação estão bem definidos: procura, acima de tudo, a promoção do sucesso académico das suas crianças, sem descurar a educação para os valores.
O Colégio Jardim dos Sentidos enquadra-se de forma equilibrada pela modernidade da sua arquitetura. As suas infra-estruturas revelam-se amplas e funcionais, resultando num espaço atrativo e acolhedor, mas também e necessariamente, seguro.
O plano educativo prevê atingir a sua plena capacidade com o funcionamento de quatro salas de creche (4 meses e os 3 anos) três salas para o pré-escolar (3, 4 e 5 anos), uma sala de CATL (6 e os 12 anos), para um total de cerca 150 crianças. Paralelamente conta com a colaboração de 24 postos de trabalho.
O espírito de apoio à família vai agora mais longe: o Colégio estará aberto das 7h30 às 19h, decorrendo as atividades letivas gerais entre as 09:00 e as 16:00, para todos os alunos. O Colégio conta ainda com um programa de academias de música; ginástica; inglês; hip-hop; ballet e miniténis, diariamente a partir das 16:00. As crianças têm também educação moral e religiosa orientada por um vicentino e apoiada pela paróquia.
Na sessão de inauguração a diretora técnica Dra. Sónia Santos, a quem, com a sua equipa técnica, se deve o sucesso de dezasseis anos de atividade do anterior Bercinho e quem, deve ser dito, impulsionou a construção em Montemor-o-Novo deste colégio único na modernidade, afirmou:
“O nosso projeto não são só as instalações, mas sobretudo as pessoas. No Colégio Jardim dos Sentidos todos trabalham para um objetivo: o desenvolvimento integral da criança, não apenas na sua vertente científica mas também ao nível das atitudes e valores.
Queremos formar pessoas felizes, com capacidade para enfrentar a vida. A melhor forma de preparar o futuro é sem dúvida alguma, dar às crianças um ensino de qualidade e transmitir-lhes os valores que hão-de servir-lhes de bússola nas suas escolhas pessoais, na relação com os outros e na sua intervenção enquanto cidadãos.
Temos como Missão ser uma instituição de referência na qualidade do ensino, na promoção efetiva da igualdade de oportunidades, projetando-se no percurso de sucesso das nossas crianças. Procuramos que a criança desenvolva valores como a autoestima, criatividade, iniciativa pessoal, disciplina, atitude interventiva e espírito crítico. Damos importância ao conhecimento, mas também ao saber estar e ao relacionamento com o outro."
E ainda:
“Este Projeto nunca poderá ser avaliado a curto prazo: Costuma-se dizer que só ao fim de duas gerações é que se percebe se uma escola conseguiu formar bem os seus alunos. Até lá, vamos esforçar-nos…
Temos bem presente que um filho é o maior investimento de um pai, como tal, assumimos um compromisso com as famílias, famílias que nos acompanharam sempre em todo este processo mostrando-se confiantes e entusiasmadas.
Foram três anos de muito árduo trabalho, mas chegamos ao final deste grande projeto por uma única razão: não baixamos os braços perante as circunstâncias adversas atuais. A este propósito vou citar Fernando Pessoa: Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um Castelo...
Pois bem, o nosso Castelo aqui está para vos receber.
O Colégio Jardim dos Sentidos pretende continuar a marcar a diferença relativamente à oferta educativa existente em Montemor-o-Novo. Esta Associação assume-se hoje como uma referência pelo modo como tem sabido perseguir um paradigma educativo arrojado e inovador. Este novo equipamento social é sem dúvida, um marco, para o engrandecimento da nossa comunidade educativa."
António A. P. Vacas de Carvalho

 

quinta, 20 março 2014 23:36

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, fez-Se pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para Se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspetivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se veem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos autossuficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de dezembro de 2013

Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

segunda, 14 abril 2014 21:15

"HOMEM NOVO = AMOR NOVO"

 

Cristo é o "Homem Novo" por excelência. Ele nos deixa, como legado e testamento, o mandamento do Amor, intitulado por Ele próprio como o "Mandamento Novo". Se Jesus chama ao Amor "mandamento novo" é por razões óbvias e que enuncio em síntese:

 

1 - Amor novo quanto à Fonte

O Amor cristão tem a sua Fonte no próprio Deus, que é Amor: daí que lhe chamamos "amor teologal". Trata-se duma fonte inesgotável: por isso, quanto mais se exercita e dá, mais se renova e abunda! Por outro lado, esta Fonte tem todo o sabor de plenitude e de eternidade, já que não tem limite de tempo nem de espaço. Um amor assim é o melhor cartão de identidade dos discípulos de Jesus: "Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor... E nós conhecemos e acreditamos no Amor que Deus nos tem..." (1 João 4,8 e 16).

Acima de tudo, somos filhos, de rosto aberto e mãos levantadas para o Pai do Céu. A pessoa é pura abertura e radical aspiração para Deus: "Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Vós " (S. Agostinho).


2 - Amor novo quanto ao Modelo
Porque ao jeito de Jesus, o amor a Deus e aos irmãos deve ser profundamente pessoal e humano. O amor sobrenatural - a Caridade - tem a mesma estrutura psicológica que o amor humano. O Amor de Deus fez-se, em Cristo, amor humano, no sentido mais concreto e empolgante. O Mistério da Encarnação é a garantia dum amor próximo, fraterno, interessado, a todas as pessoas e ao todo de cada pessoa.
Amar à maneira de Cristo é "vestir-se de compaixão e de bondade" por toda a pessoa, por cada pessoa. Importante que evitemos o angelismo, que nos levaria como que a sobrevoar (sem nunca aterrar!) por sobre as questões humanas, com medo de sujar as mãos nesta história, que é a nossa.

 

3 - Amor novo quanto ao âmbito
Em clima cristão, alarga-se até ao extremo o conteúdo da palavra "próximo". Sabemos que, para os contemporâneos de Jesus, o próximo era apenas aquele que pertencia ao mesmo grupo, à mesma família ou, na melhor das hipóteses, aquele que fazia parte do mesmo Povo. Na parábola do Samaritano, Jesus diz-nos que o próximo é todo aquele que vamos encontrando nos caminhos da vida.

É por demais evidente que, em Cristo, se alarga o âmbito do "próximo" até à dimensão do universo...
Mas não é apenas pela "quantidade" que se distingue o amor cristão; é, sobretudo, pela "qualidade". Ao jeito de Jesus, o amor cristão é gratuidade, é doação, é entrega, é perdão e muitas outras realidades que facilmente identificamos.


4 - Finalmente: amor novo joga-se na história....
Mais do que fazer sermões bonitos, Vicente de Paulo foi visitar a família doente e por aí nasceu a primeira fundação vicentina - as "Caridades" (hoje, AIC - "Associação Internacional da Caridade"). Mais do que perder-se em divagações académicas com os seus colegas, Frederico Ozanam conduz o grupo de amigos para a casa dos Pobres e assim nasce a primeira Conferência. Isto é saber ler a Vontade de Deus na História e seguir fielmente os seus Caminhos.
Daí que, o exercício da Caridade cristã e vicentina deva estar marcado pela "espiritualidade da ação" e adornar-se com uma série de qualidades. Aqui indico algumas:

 

Resposta a um chamamento
A prática da Caridade deve ser resposta a um chamamento atual. Exige atenção muito especial ao presente, deve responder aos chamamentos concretos, tem de remediar necessidades presentes, em si mesmas e nas suas causas.


Transformadora do mundo
Sem lhe roubar a eficácia imediata, a caridade, o amor vicentino deve atingir as raízes do mal, numa transformação profunda do mundo.

 

" Voltar a medalha "...
Contemplar o pobre como pessoa amada por Deus, sacramento de Cristo ("tudo o que fizestes a um destes mais pequeninos a mim o fizestes... "), no realismo da sua existência de pobreza, de marginalização, de abandono, de solidão...


Termino...

Falámos de "Homem Novo" e de "Mandamento Novo". Neste lugar tão mariano, não podemos esquecer essa "Mulher Nova" chamada Maria. Ela soube deixar-se amar por Deus, como filha; ela soube dar-se em amor, como Mãe; ele soube vestir-se de amor, pela força do Espírito... Que esta boa Mãe, de amor universal, a todos nos abençoe e indique o caminho sempre novo do verdadeiro amor cristão e vicentino

 

P. Manuel Nóbrega, CM

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