– A ASSEMBLEIA – A mensagem da Presidente do Conselho Nacional de Portugal, Fernanda Capitão – Peregrinação Nacional da SSVP a Fátima 2026

Num discurso profundamente próximo e inspirador, destacou o trabalho silencioso, generoso e perseverante de todos os vicentinos, que diariamente dão vida à missão através da proximidade aos mais pobres.
Recordou-nos que o carisma vicentino se vive nas pequenas grandes atitudes: na simplicidade, na humildade, na doçura, no desinteresse e no zelo com que servimos.
Num mundo marcado por novos desafios, como a solidão, a exclusão, a precariedade e tantas formas de sofrimento escondido, fomos chamados a estar atentos, a escutar com o coração e a agir com coragem e criatividade.
Um apelo forte a permanecermos fiéis à nossa vocação, como sinais de esperança, construtores de pontes e testemunhas do amor de Deus junto de quem mais precisa.
De Fátima, partimos renovados, confiando a Maria a nossa missão.
Leia aqui a mensagem completa:

Caríssimos irmãos e irmãs,

Começo por dirigir uma saudação respeitosa e reconhecida ao Presidente desta Assembleia Rev. Bispo D. José Traquina, ao orador Dr. Sérgio Pinto, Diretor do Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência, da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde em Touguinha, ao P. José Alves, CM, assistente da direção nacional, ao Presidente da Assembleia Geral Dr. Luís Silva, ao Kieran Stafford, Vice Presidente Territorial do CGI para a Europa 1, aos representantes dos Ramos da Família Vicentina presentes, Irmã Fátima Miranda Superiora Provincial das Filhas da Caridade, Liliana Sofia, Presidente Nacional da Associação da Medalha Milagrosa, Célia Rodrigues, representante dos Colaboradores da Missão Vicentina e aos colegas dos órgãos oficiais aqui presentes, pela sua dedicação e compromisso no fortalecimento da nossa missão.

Saúdo, com especial carinho, todos os vicentinos e vicentinas que hoje se reúnem neste lugar de fé, esperança e renovação. A vossa presença em Fátima é sinal vivo de uma Igreja que caminha, que serve e que não desiste dos mais frágeis.

Como Presidente Nacional, quero expressar o mais profundo reconhecimento pelo trabalho silencioso, persistente e generoso que realizam diariamente através das 700 Conferências Vicentinas por Portugal Continental e Ilhas. Cerca de 6.000 Vicentinos e 3.500 voluntários entregam-se no apoio simples, humilde e fraterno aos irmãos em dificuldade. A nossa missão não se esgota enquanto houver irmãos em Cristo em situação de necessidade.

Mantemos vivo o carisma da SSVP pelas visitas domiciliárias, pela criatividade e diversidade de respostas que abraçamos, pelo envolvimento das comunidades e entidades parceiras no apoio que transforma e dignifica a pessoa humana.

Mantemos vivo o carisma vicentino na prática das virtudes vicentinas:

– na simplicidade de aceitar que não temos todas as respostas e que aprendemos a enfrentar os desafios da vida com fé e perseverança nas pessoas que visitamos,

– na humildade como nos colocamos diante de Deus, dos outros e de nós próprios, com as nossas qualidades e limitações, de quem reconhece que tudo o que somos e temos é dom, e não mérito,

– na doçura e na capacidade de agir com serenidade, paciência e bondade, mesmo em situações difíceis,

– no desinteresse, com que aceitamos a nossa missão sem procurar reconhecimento, vantagem pessoal ou recompensa, reconhecendo que o poder na SSVP é o serviço pelo bem do outro, de forma gratuita,

– no zelo, com responsabilidade pelas tarefas assumidas, na vontade de contribuir com soluções concretas perante os problemas atuais da sociedade e gerir os recursos com rigor e transparência, garantindo que chegam a quem mais precisa.

Agradeço a todos pela colaboração na implementação das linhas de ação do plano de actividades da Direção Nacional para a SSVP em Portugal. O vosso empenho na renovação da ação da Sociedade, na integração de jovens, no reforço da comunicação, na valorização da formação tem sido essencial para manter viva e atual a nossa missão.

Destaco a importância de continuarmos a viver e a promover, com coerência e dedicação, os critérios da ação vicentina: a proximidade aos mais pobres, o respeito pela dignidade de cada pessoa, a escuta atenta e compassiva, a ação discreta e desinteressada, o trabalho em equipa e em comunhão com a Igreja, bem como a busca constante de uma caridade que seja não apenas assistencial, mas também transformadora. É neste compromisso concreto e quotidiano que se torna visível a autenticidade da nossa vocação vicentina.

Vivemos tempos desafiantes, onde surgem novas formas de pobreza: a solidão, a exclusão digital, a precariedade laboral, o aumento dos problemas de saúde mental, as famílias sobrecarregadas, a violência doméstica, os idosos abandonados, refugiados e migrantes, os jovens sem horizonte. Somos chamados a estar atentos a estas realidades, a escutar com o coração e a agir com criatividade e coragem. Que nunca nos falte a sensibilidade para reconhecer o sofrimento escondido e a disponibilidade para responder com dignidade e amor.

Num mundo marcado pela guerra, pelo individualismo e pela falta de compromisso, a nossa missão torna-se ainda mais urgente. Quando Deus deixa de ser o centro, a verdade, a justiça e a paz deixam de ser prioridade. Jesus precisa de cada um de nós, da nossa conversão, do testemunho fraterno, do apoio a quem é deixado para trás sem rosto e sem voz, para que o mal possa diminuir e o bem crescer. Não desanimemos. Sejamos sinais de esperança, construtores de pontes, testemunhas do amor, da caridade. Que a nossa ação seja sempre inspirada pela coragem de servir e pela fé que nos sustenta, mesmo em tempos adversos.

Aqui, em Fátima, confiamos à Mãe todos os nossos esforços, preocupações e sonhos. Que Ela nos ajude a continuar este caminho com humildade, perseverança e alegria. E que regressemos às nossas comunidades renovados, comprometidos e prontos para servir ainda melhor.

Muito obrigado a todos.
Bem-hajam.

Fernanda Capitão

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