Coração de Maria, caminho para ver a Deus
“Ver”, na Bíblia, tem um significado que vai muito para além da visão física: significa compreensão espiritual, revelação divina, experiência direta de Deus. Aos discípulos de João Batista que perguntaram a Jesus “Onde moras? Ele responde: vinde e vede” (Jo,I,38). E por aquilo que eles nos dizem posteriormente, foi muito mais do que um exercício de observação. Foi a descoberta do mistério messiânico. Quando João nos descreve a ida ao sepulcro com Pedro disse que “Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: Viu e acreditou. Ainda não tinha entendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo.XX,8-9).
“Ver” é, pois, entender a vontade de Deus, é penetrar um pouco no seu Mistério. É abrir-se à fé. É comunhão com o seu desígnio… Neste sentido, a virgem Maria, mais do que qualquer outra criatura, percorreu um caminho que a levou a ver a Deus e, por isso, é nossa inspiradora e mestra, e pode ensinar-nos o caminho para ver a Deus.
- Apesar de escolhida para ser a Mãe de Jesus e, por isso, concebida sem pecado, e criada cheia de graça, a “caminhada” de Maria para Deus, não foi isenta de interrogações, de reflexão profunda, e de sofrimento. Algumas passagens bíblicas, referentes à vida de Maria e relacionadas com o Mistério de Deus, que se lhe vai revelando, dão essa ideia de que não foi fácil chegar à plena e total compreensão do Mistério que nela e por ela se revelou: “Como poderá ser isso, ;se não conheço homem? (Lc.I,34): ”Quanto a Maria, conservava todas estas coisa, ponderando-as no seu coração” (Lc.II,19); ”levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe, foge para o Egipto, fica lá até lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o Menino para o matar..” (Mat.II,13); “Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura? (Lc.II,48); “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo.II,5). Depois da resposta de Jesus, carregada de alguma incerteza ela, recomenda aos discípulos uma escuta atenta às orientações de Jesus e uma disponibilidade total para seguir as suas orientações Junto à cruz, quando escuta as últimas palavras de Jesus e depois, quando O recebe nos braços, que se passaria no Seu coração de Mãe?!… Tudo ficará claro, para ela, após Ressurreição…… Então, entende o grande projeto de Deus para a Salvação da humanidade…
- A Constituição “Lumen Gentium” do Vaticano II, diz-nos que a Virgem Maria “brilha como um sinal de esperança segura e de consolação para o povo de Deus peregrino sobre a terra, nesta caminhada para Deus.”
- Tendo Maria como modelo e inspiradora neste caminho para ver a Deus, Ela inspira-nos algumas atitudes, imprescindíveis, nesta busca de Deus:
- Estar atento aos acontecimentos. É neles que Deus se revela… É nos meandros da história e nos “nós” do entrecruzar dos acontecimentos que Deus se manifesta, quando tudo é visto à luz da fé. Duas palavras são importantes: Guardar no coração e
- Isto abre-nos para outra atitude necessária ao discípulo de Jesus em caminho para Deus: o discernimento. Na ambiguidade da informação, na complexidade dos sentimentos que nos envolvem, na dificuldade em tomar decisões,: discernir, avaliar, perceber… é muito importante.
- Uma disponibilidade total para abraçar o desígnio, a vontade de Deus: “faça-se em mim segundo a tua palavra”. Mesmo quando não se entende completamente. todo o alcance dessa palavra
- Ter consciência de que Deus nos confia uma missão; Ele tem um desígnio sobre nós. Quando se tem este foco, o caminho para lá chegar também se vai percebendo, mesmo que não apareça como o mais agradável.
- A virgem Maria encontra na sua gloriosa Assunção a plena visão de Deus e a compreensão do Mistério a que foi associada por um desígnio insondável. Por isso, é para nós um sinal de esperança. João no prólogo do seu evangelho diz-nos: ”a Deus nunca ninguém viu; quem no-lO revelou foi o Filho único que está junto do Pai” (Jo.I,17)
Vivendo na fidelidade à mensagem de Jesus, tornando-nos fieis discípulos, como a Virgem Maria, teremos no fim da nossa jornada terrestre a nossa completa visão de Deus que, apenas, vislumbrámos durante o peregrinar terreno.
José Alves C.M.






