Sábado 29 de Abril de 2017
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Um outro vigiar

«Vigiai»! É assim, em modo imperativo, que Jesus nos introduz neste tempo do Advento. Como um refrão há muito sabido porque muito repetido, havemos de escutar sempre de novo este mandamento do Senhor: «Vigiai»! Nisto se condensa o essencial deste tempo. De vigilância se faz o Advento.
A realidade da vigilância não nos é estranha. Vivemos, sob vários aspectos, num tempo de vigilância. Convivemos, sobretudo nas nossas sociedades modernas, com esta ideia e com a sua prática. Razões há para que (em alguns casos) assim seja, não o nego. A vigilância tornou-se, para o bem e para o mal, um elemento da nossa vida moderna. Sob o epíteto de «videovigilância» ela tomou o nosso espaço público. Saímos à rua e já não estranhamos ser observados por uma câmara. Entramos num espaço público e essa observação apresenta-se simpática e bem-disposta: «Sorria, está a ser filmado»! Sob formas mais discretas, os Estados vigiam os seus cidadãos (os seus telefones e outras comunicações; as suas contas e demais aspectos das suas vidas); os Estados vigiam outros Estados. Por vias informáticas, podemos ter, para nossa defesa ou devassa, a nossa vida intensamente vigiada. Os exemplos podiam-se suceder. Mas este não é apenas um traço que define o viver das grandes instituições públicas. Ele determina igualmente a pequena escala do nosso viver. Também os pais vigiam os seus filhos. Também os empregadores vigiam os seus funcionários. Também os colegas de trabalho vigiam os colegas. Também os vizinhos vigiam os vizinhos. Uma vez mais, os exemplos podiam-se aqui suceder. A conclusão, porém, parece inevitável: estamos hoje acostumados à vigilância.
Porém, não nos enganemos. Esta vigilância que nos envolve em nada se assemelha com essa outra que faz do cristianismo uma religião da vigilância. Uma vigilância e outra, embora apelando para o mesmo imperativo («vigiai»), assentam em pressupostos contrários. Uma é controlo defensivo, a outra expectativa activa. Uma é medo, a outra alegria. Uma assenta na desconfiança face ao próximo, a outra na confiança em Deus. Uma assenta na dúvida face às reais intenções desse próximo, a outra na certeza de que o que vem é salvação. Uma olha o próximo como rival, a outra recebe-o como irmão. Uma é cepticismo, a outra é esperança. Uma é negação do presente, a outra é antecipação do futuro. É para este outro vigiar que nos convoca o Advento. Um outro vigiar que dê qualidade à nossa activa atenção ao Deus que veio, que vem e que virá. Um outro vigiar que nos ensine também a vigiar o nosso mundo e o nosso próximo com essa outra qualidade. A qualidade de quem vigia porque espera encontrar nesse próximo o próprio advento de Deus.

 

Fonte: http://www.vozdaverdade.org/

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