Quarta-feira 16 de Agosto de 2017
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Pegadas inapagáveis

Tudo o que um confrade ou uma consócia faz, fala ou sugere, durante as visitas domiciliares semanais e no trato com as famílias socorridas, pode ser o “fiel da balança” no futuro das pessoas que são atendidas pelas Conferências e pelas obras sociais vicentinas. Esse gesto pode, realmente, fazer a diferença. Um bom conselho, uma boa ideia, uma correção fraterna e uma palavra de apoio constituem o diferencial entre o trabalho vicentino e as ações filantrópicas – embora meritórias – empreendidas por diversas instituições.

 

Em outras palavras, deixamos “rastros” por onde passamos. Podemos olhar para trás e ver nossas pegadas; por isso, são inapagáveis, pois representam muito para aqueles que estão vivendo enormes dificuldades pessoais, econômicas e até espirituais. Os pobres assistidos não “apagam” das memórias deles nosso sorriso, nossa paixão e nossa devoção, assim como também nossos defeitos, pecados e falhas. Nossas pegadas são inapagáveis por conta de cinco elementos.

Primeiro, a forte confiança que os assistidos têm em nós. Eles permitem que entremos nos lares deles, que opinemos sobre suas vidas e que sugiramos o que eles devem fazer ou não. Sem essa confiança, nada disso seria possível. O segundo elemento, que tem a ver com a confiança, é a credibilidade que os vicentinos gozam perante a sociedade civil, às autoridades públicas e à Igreja. Sem essa credibilidade, não seria possível conseguir tantos feitos, doações e recursos para as pessoas mais carentes.

O terceiro elemento que deixa nossa marca indelével é a força do nosso testemunho e de nossos atos. Somente uma organização de inspiração divina e fundação colegiada poderia sobreviver há tanto tempo, com determinação, lutando contra as injustiças e as desigualdades. É a intensidade desse testemunho – sobre o que falamos e o que fazemos de concreto no campo da caridade – que abre caminhos, suaviza corações e provoca verdadeiros milagres na sociedade.

O quarto elemento é bem próximo do anterior: são os estímulos e exemplos de vida que deixamos para os que sofrem. Ao tentar alterar os rumos de uma família assistida, mostrando que ela possui plenas condições de vencer com suas próprias forças, um “empurrãozinho” dos vicentinos é fundamental para que as mudanças de estruturas se manifestem. Por fim, o quinto elemento para que nossas pegadas sejam consideradas inapagáveis refere-se ao espírito vicentino que transforma tanto os membros da SSVP quanto os socorridos. Essa mudança interior é visível e apaixonante; gera conversão e mais caridade.

Tudo isso parece simples, não é mesmo? Mas nem sempre as coisas simples são as mais fáceis. Manter e zelar pela boa imagem da SSVP não é trivial. É um trabalho constante, que deve ser cultivado e reforçado no cotidiano dos vicentinos, não só durante as visitas domiciliares, mas, sobretudo, no ambiente da Conferência e em nossas próprias vidas pessoais. Só assim, sendo vicentino nas 24 horas do dia, é que deixaremos as marcas da santidade no coração e na face dos que nos observam.

Por tudo o que refletimos acima, é fundamental estabelecer que a prática vicentina só terá pleno êxito se for calcada em dois princípios: a simplicidade (Mateus 18, 1-4) e o serviço (Mateus 20, 24-28). Se nossas ações não tiverem base nessas duas premissas, as pegadas que deixarmos serão facilmente apagadas ou esquecidas, como ocorre quando as ondas do mar passam por cima dos desenhos feitos por uma criança nas areias da praia. Com certeza, não queremos que nossas pegadas desapareçam. A mensagem de Jesus e o carisma de S. Vicente são nosso combustível!

Deixamos algumas perguntas para reflexão na reunião da Conferência: “Que tipo de pegadas temos deixado em nossa caminhada vicentina? Os pobres acreditam no que falamos? Passamos, para eles, confiança e credibilidade?

 

Renato Lima

Vice-presidente do Conselho Geral da SSVP para a América do Sul.

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