Domingo 24 de Setembro de 2017
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Igreja não cala convicções sobre família

Discurso do Presidente da CEP na abertura da Assembleia Plenária, que retoma desafios da visita Ad limina

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Uma Assembleia Plenária que pretende abordar os documentos «A Escola em Portugal» e «Toda a prioridade às crianças», tem no seu discurso de abertura a tónica familiar muito acentuada. D. Jorge Ortiga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa recorda “não queremos invadir campos que não são os nossos”, mas incita os católicos a darem testemunho com determinismo. “Denunciamos todas as tendências e atitudes que ameaçam minar a realidade familiar” e, recorda o Arcebispo Primaz de Braga, “a comunidade civil não pode ficar indiferente frente às tendências desagregadoras que minam na base os seus alicerces fundamentais”

“O Estado tem a alta responsabilidade e a grave obrigação de defender a instituição familiar”. A baixa natalidade é um dos “sintomas severos desta doença que atacou a família”, indica D. Jorge Ortiga, a que associa “a terrível praga do aborto, alcandorado a «direito fundamental», gratuito e não raras vezes proposto à mulher a quem não lhe são facultadas alternativas. Portugal massacra, assim, o seu futuro, impedindo-o de nascer”. Num quadro de menor natalidade “aumentam as ligações fortuitas ou efémeras, as chamadas «uniões de facto» equiparadas nos direitos ao casamento mas não nos deveres e facilita-se ao extremo os divórcios e a dissolução dos casamentos”.

Afirma D. Jorge Ortiga que “o futuro próximo não nos perspectiva melhores tempos”. As agendas políticas indicam novas iniciativas a que o cidadão português, “e não só o católico”, deveria responder. Indica o bispo que o governo centra energias para aprovar “leis fracturantes”, quando se devia preocupar em unir todos “para responder aos novos problemas que a crise económico-financeira veio denunciar”.

“Devemos ser respeitadores dos pensamentos diferentes. Só que não podemos renunciar à nossa identidade que, em muitos aspectos, se consubstancia com a cultura portuguesa”, sublinha. “Aceitamos a separação e queremos caminhar testemunhando a nossa identidade”. Para este caminhar “harmonioso”, sublinha o Presidente da CEP “continuamos à espera duma regulamentação da Concordata, feita no diálogo e sem pretender privilégios mas defendendo os verdadeiros conteúdos desse acordo internacional. Alguns passos foram dados. Continuamos a esperar, dando sempre o nosso contributo positivo”.

A situação económica ganha destaque no discurso de abertura da Assembleia plenária. “Numa sociedade dita avançada é confrangedor deparar com as dificuldades vividas no interior de muitos lares. Começam a faltar bens essenciais, a vergonha torna a pobreza mais angustiante”. Pede o Presidente da CEP que as comunidades eclesiais “aumentem uma pastoral de maior sensibilidade e compromisso sócio-caritativo”.

A crise financeira deve ser encarada como um desafio a “encontrar soluções nas causas e não apenas nas consequências”, importando, por isso, procurar soluções nos “valores e estilos de vida que é urgente cultivar, promovendo uma cultura de sobriedade, partilha e solidariedade”.

D. Jorge Ortiga retoma o discurso de Bento XVI aos bispos portugueses na visita Ad limina, em Novembro de 2007. Recordando também o quinquénio do II Concilio do Vaticano, aponta o Presidente da CEP que “não basta usar um discurso de teor conciliar. Muita coisa continua a ser programa inacabado”.

A Igreja tem “propostas de boa vontade mas, numa grande parte, pouco motivadoras”. Focando pontos como a iniciação cristã, a formação, e o clero, D. Jorge pede uma Igreja com “rosto mais sereno, jovem, atraente, dialógico, terno e misericordioso, que parta do interior de quem preside” e um “percurso bem delineado com etapas, tempo, animadores e capacidade de se comunicar”. As dioceses precisam de se centrar “num programa mais similar nas coordenadas essenciais”.

Aponta D. Jorge que a “Igreja em Portugal tem-se distraído com questões de visibilidade exterior, ficando secundarizada a construção de comunidades de fé e a formação de agentes de pastoral”. Pede o Presidente da CEP que se deve “despender bens económicos em benefício de testemunhas com perfil académico, para podermos aparecer como proclamadores da Palavra nos areópagos modernos” de forma a avançar “na organização do território para que o nosso anúncio tenha mais em conta as reais situações das populações”.

No campo da formação, relembra D. Jorge o apelo de Bento XVI, quando disse “os não praticantes impõem uma reflexão e talvez uma viragem no percurso actual da iniciação cristã”. Afirma o Presidente da CEP, “o que está a acontecer não é só fruto do tempo, é também a tradução da pouca incidência da transmissão catequética”. Impõe-se uma “viragem fundamentalmente baseada no ensino dos apóstolos, na Bíblia”, e na contínua criatividade para “ensinar no século XXI”, reciclando aprendizagens, “utilizando as ferramentas desta era virtual, sem nunca esquecer que o testemunho é sempre fundamental”.

Os Bispos presentes na Assembleia Plenária vão discutir ainda sobre os trabalhos desenvolvidos pelas Comissões Episcopais, a Renovação dos serviços centrais da CEP, a celebração do Ano Paulino em Fátima (25 de Janeiro de 2009) e analisar e votar o orçamento do Secretariado Geral da CEP para 2009.

 

Fonte: www.agencia.ecclesia.pt

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