Terça-feira 26 de Setembro de 2017
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Homem Novo = Amor Novo

“HOMEM NOVO = AMOR NOVO”

 

Cristo é o “Homem Novo” por excelência. Ele nos deixa, como legado e testamento, o mandamento do Amor, intitulado por Ele próprio como o “Mandamento Novo”. Se Jesus chama ao Amor “mandamento novo” é por razões óbvias e que enuncio em síntese:

 

1 – Amor novo quanto à Fonte

O Amor cristão tem a sua Fonte no próprio Deus, que é Amor: daí que lhe chamamos “amor teologal”. Trata-se duma fonte inesgotável: por isso, quanto mais se exercita e dá, mais se renova e abunda! Por outro lado, esta Fonte tem todo o sabor de plenitude e de eternidade, já que não tem limite de tempo nem de espaço. Um amor assim é o melhor cartão de identidade dos discípulos de Jesus: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor… E nós conhecemos e acreditamos no Amor que Deus nos tem…” (1 João 4,8 e 16).

Acima de tudo, somos filhos, de rosto aberto e mãos levantadas para o Pai do Céu. A pessoa é pura abertura e radical aspiração para Deus: “Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Vós “ (S. Agostinho).

2 – Amor novo quanto ao Modelo
Porque ao jeito de Jesus, o amor a Deus e aos irmãos deve ser profundamente pessoal e humano. O amor sobrenatural – a Caridade – tem a mesma estrutura psicológica que o amor humano. O Amor de Deus fez-se, em Cristo, amor humano, no sentido mais concreto e empolgante. O Mistério da Encarnação é a garantia dum amor próximo, fraterno, interessado, a todas as pessoas e ao todo de cada pessoa.
Amar à maneira de Cristo é “vestir-se de compaixão e de bondade” por toda a pessoa, por cada pessoa. Importante que evitemos o angelismo, que nos levaria como que a sobrevoar (sem nunca aterrar!) por sobre as questões humanas, com medo de sujar as mãos nesta história, que é a nossa.

 

3 – Amor novo quanto ao âmbito
Em clima cristão, alarga-se até ao extremo o conteúdo da palavra “próximo”. Sabemos que, para os contemporâneos de Jesus, o próximo era apenas aquele que pertencia ao mesmo grupo, à mesma família ou, na melhor das hipóteses, aquele que fazia parte do mesmo Povo. Na parábola do Samaritano, Jesus diz-nos que o próximo é todo aquele que vamos encontrando nos caminhos da vida.

É por demais evidente que, em Cristo, se alarga o âmbito do “próximo” até à dimensão do universo…
Mas não é apenas pela “quantidade” que se distingue o amor cristão; é, sobretudo, pela “qualidade”. Ao jeito de Jesus, o amor cristão é gratuidade, é doação, é entrega, é perdão e muitas outras realidades que facilmente identificamos.

4 – Finalmente: amor novo joga-se na história….
Mais do que fazer sermões bonitos, Vicente de Paulo foi visitar a família doente e por aí nasceu a primeira fundação vicentina – as “Caridades” (hoje, AIC – “Associação Internacional da Caridade”). Mais do que perder-se em divagações académicas com os seus colegas, Frederico Ozanam conduz o grupo de amigos para a casa dos Pobres e assim nasce a primeira Conferência. Isto é saber ler a Vontade de Deus na História e seguir fielmente os seus Caminhos.
Daí que, o exercício da Caridade cristã e vicentina deva estar marcado pela “espiritualidade da ação” e adornar-se com uma série de qualidades. Aqui indico algumas:

 

Resposta a um chamamento
A prática da Caridade deve ser resposta a um chamamento atual. Exige atenção muito especial ao presente, deve responder aos chamamentos concretos, tem de remediar necessidades presentes, em si mesmas e nas suas causas.

Transformadora do mundo
Sem lhe roubar a eficácia imediata, a caridade, o amor vicentino deve atingir as raízes do mal, numa transformação profunda do mundo.

 

” Voltar a medalha “…
Contemplar o pobre como pessoa amada por Deus, sacramento de Cristo (“tudo o que fizestes a um destes mais pequeninos a mim o fizestes… “), no realismo da sua existência de pobreza, de marginalização, de abandono, de solidão…

Termino…

Falámos de “Homem Novo” e de “Mandamento Novo”. Neste lugar tão mariano, não podemos esquecer essa “Mulher Nova” chamada Maria. Ela soube deixar-se amar por Deus, como filha; ela soube dar-se em amor, como Mãe; ele soube vestir-se de amor, pela força do Espírito… Que esta boa Mãe, de amor universal, a todos nos abençoe e indique o caminho sempre novo do verdadeiro amor cristão e vicentino

 

P. Manuel Nóbrega, CM

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